quarta-feira, 30 de maio de 2018

Dirigiste-me um apóstrofe; BH, 0190801999; Publicado: BH, 0120602012.

Dirigiste-me um apóstrofe,
Ao pôr apóstrofo logo que comecei a falar;
A tua interpelação aos ouvintes,
Em meio à minha narrativa,
Foi incisiva e direta que, inibiu-me,
Nem terminei de falar;
Falaste que, ias apostrofar-me
E não perdeste tempo;
Deixaste toda a plateia como
O sinal que indica elisão, em supressão;
Nas pronúncias dos meus vocábulos,
Baixei um apostema sobre ti,
Como a perpendicular baixada,
Do centro de um polígono regular,
Sobre qualquer lado;
Tinha que impedir a tua apoteose,
Tua deificação e inclusão no número das deusas,
Na cerimônia entre os gregos e romanos
E acabar com a cena e o acontecimento
De tua grandiosa glorificação à minhas custas,
Frear teu ar apoteótico;
Apesar da minha mudez,
O engolimento de minha língua,
O apoucar que, legaste-me,
Reduziu-me a pouco,
Diminuiu meu tamanho;
Abreviou minha assinatura,
Amesquinhou meu ser,
Humilhou todo o meu conjunto,
Barbarizou tudo que existia em mim,
Que era para oferecer-te na esperança,
De melhorar o inferno eterno,
Que acabaste de receber o habite-se,
Para passar teus últimos dias.

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