sábado, 12 de maio de 2018

Preta vem coar o meu café, RJ, 1980; Publicado: BH, 010302012.

Preta vem coar o meu café,
Café preto com rapadura
E vem fazer o meu de comer;
Preta vem cozinhar a mandioca,
Para eu comer com manteiga
E o leite gostoso que tens;
Preta vem para a cama,
Tira a roupa
E vem deitar;
Estou desesperado,
Não posso dormir sem amar-te;
Preta vem cá,
Chega bem para perto de mim,
Enrosca-te ao meu corpo,
Apodera-te de tudo,
De que tens direito;
Preta querida,
Preta bonita,
Mulata assanhada,
Negra bendita;
Foi o capeta que te fez
E pôs um pouco do fogo do inferno,
Em cada parte do teu corpo;
Foi o diabo que te gerou,
Temperou teu sexo,
Com pimenta malagueta
E com muito tempero;
Nasceste no inferno,
Eita Preta danada;
Pareces uma locomotiva,
Pareces um vulcão em erupção,
Uma bomba atômica quando explode;
O orgasmo dessa Preta,
É uma verdadeira destruição;
Preta, quando estás a gozar,
Pareces até um terremoto;
Uma volúpia estranha,
Invade-te o corpo e a alma;
Parece que um santo porreta,
Desceu em ti;
Tu me deixas triturado,
Mas quero outra dose,
Desse teu amor.

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