domingo, 13 de maio de 2018

Historinha inútil, RJ, 1980; Publicado: BH, 0280202012.

Era uma vez,
Era assim que não começava,
A história que não vou contar,
Pois não sabia contar
E nem sabia que era uma história;
Não era uma vez,
Num peito deserto,
Um coração pulsou de repente
E começava uma história,
Que não começava,
Não podia ser contada
E nem era de conto de fada;
Não tinha príncipe
E nem tinha princesa,
Nem rei e nem rainha,
Não tinha nada,
Nem peito e nem coração;
Era uma vez,
Uma história vazia,
Uma historinha inútil,
Que não tinha vez,
Que não era
E nem tinha era;
Longe muito bem longe,
Na inexistência de um ser,
Sem luz e sem ser,
Apareceu uma molécula,
Povoou uma célula
E publicou em versos,
Cada momento da história,
Cada fato e cada boato
E levou para bem mais longe ainda;
Além do além do horizonte,
Para o infinito talvez,
Toda paz da imensidão,
Que existia no universo
E o universo se tornou pequeno;
E a história que não foi contada,
Que não teve começo,
Acabou-se aí
E nem teve fim;
E era uma vez
E nem era uma vez
E não era uma vez...
A vaca comeu e largou três toras,
Quem quiser que conte outra história. 


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