quinta-feira, 17 de maio de 2018

Texteiro de textos de tecidos e de testamentos; BH, 0170502018.

Texteiro de textos de tecidos e de testamentos,
Ainda mancebo apesar de já sexagenário,
Passivamente, como um bicho-preguiça, 
Vislumbra a chegada do fim; não esboça a 
Mínima reação lúcida, não emprega o 
Pensamento lógico e não usa o raciocínio 
Perceptível; e a despeito de viver longos anos
Com letras, palavras, pedras, tijolos, enrola-se
Sempre na hora de escrever um período, 
Rezar uma oração, um terço ou, cantar num 
Hinário, um hino de louvor qualquer; nem o 
Amigo Onã, assíduo frequentador das palmas
De suas mãos, abandonou faz décadas, a 
Deixar ainda mais solitário e enrabichado 
Com as próprias rabugices; filhos, quando 
Está-se velho, são iguais pernas para que te
Quero e na atual conjuntura, não os alcança
Nem em retas livres, quanto mais nas 
Sinuosidades das curvas mortais; e como 
Quer entrar nesse campanário, onde fantasmas
Nobres já encontram-se em confrarias, com
Esses texteiros de textos e de tecidos e 
De testamentos puídos? nem vai bater à 
Porta, mendigo, se bater, não será atendido,
Se for atendido, o que terá a acrescentar à
Confraria de tão elevadas assombrações? 
Será enxotado do batente, ectoplasma 
Espumante, espírito indigente e claudicante,
Descerá a soleira da quebrada, em agonia,
Em angústia, feito um  fisiológico ruminante.

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