sábado, 12 de maio de 2018

Monólogo, RJ, 1980; Publicado: BH, 030302012.

Sei mulher,
Está muito bem, mulher,
Não precisas ficar a repetir
E a gritar alto para todo mundo ouvir;
Certo, mulher,
Covarde e imbecil,
Falas baixo e olhas os outros;
Impotente, mulher,
Não gritas por favor,
Já sei,
Já estou a saber;
Idiota e ignorante,
Compreendo, mulher,
Entendo, mulher,
Tu tens razão;
Bunda mole e fraco,
Medroso e maricas,
Não espalha para os vizinhos
E não quero brigar;
Todo dia repetes a mesma coisa,
Muda o disco hoje;
É isto mesmo, mulher,
Moleirão e preguiçoso,
Burro e papo furado,
Otário e boco moco;
Já sei que não sou de nada,
Podes desabafar, mulher,
Seja o que Deus quiser,
Sou tudo isto sim,
Sou até mais,
Também, bicha, também,
Tudo o que quiseres;
Agora só quero uma coisa
E é pelo amor de Deus,
Para com esse xingatório,
Fechas essa boca,
Ou xinga mais baixo;
Venhas para a cama dormir,
Amanhã continuas,
Tenho que levantar cedo
E vou até ensinar-te
Uma palavras novas,
Que é para ti,
Não ficares a bater na mesma tecla,
A repetires todos os dias,
As mesmas palavras;
Hum, ah, é para eu tomar vergonha,
Está bom, mulher,
Agora deixa-me dormir,
Preferes me xingar,
Preferes ficar a falar,
Do que fazer amor comigo,
Do que a me amar.

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