terça-feira, 15 de maio de 2018

Nada tenho para trocar.entre a verdade e a mentira; BH, 0301002000; Publicado: BH, 0201002013.

Nada tenho para trocar entre a verdade e a mentira,
Não discuto cambiar o vinho com a água e nem me 
Levo a pender para a mentira, a falsidade; sei que 
Até minto e nem sempre falo a verdade; sou só um 
Poeta a cambalear pelas sarjetas da noite, sujo de 
Carne de mulheres, que vive morto a mudar de 
Direção de acordo com o entortar das pernas, o
Cambar do corpo; o voo da cambaxirra, nome comum
A diversas aves da família dos troglodítidas e este
Troglodita cambembe, a se intitular poeta e sem
Título algum, não tenho o dom de imortalizar; poeta
Era o trabalhador livre, que se unia aos escravos no
Serviço da lavoura; é o desajeitado vivente cambaio,
Cambeta pela natureza e gênio pelas letras e não
As de câmbio e a nota promissória respectiva; não
A cambetear a cambial, a cor indecisa, a gradação
De cores, furta-cor irisado, camaleão cambiante que
Cambia com a arte; e com o mudar de cor e de
Opinião, o trocar de comportamento, de sexo, de
Moedas de um país pelas de outro; e fazer
Operações para cambiar nas legislações, ou fora
Do cambiário; da permuta natural, a compra e a 
Venda de metais preciosos, com valor relativo 
Dos objetos cambiados na cotação; automóveis
De mudança, a vida clandestina do negro, que
Só procura o cambista; e negocia com o indivíduo
Que vende fora dos padrões legais, das bilheterias,
Dos teatros, dos estádios, etc; ingressos com ágio,
Cambito com ágio, pernil de porco com ágio do
Malandro perna fina, que corre mais do que a
Polícia; que o confunde com louco curioso e quer o
Imobilizar com algemas, quer tolher os movimento
Dos braços, com espécie de camisa de lona
Resistente e mangas fechadas, a camisa-de-força;
E a camisa de venus, o envoltório plástico que se
Coloca no pênis para evitar contato direto com a
Vagina; hoje até o amor perdeu a liberdade, virou
Camisaria e a mulher camiseira, virou peça de
Mobília, em que se guardam outras roupas menores;
O camiseiro do homem que prefere camiseta de pano
Leve, usada sob outra de tipo curta, sem colarinho e
De mangas cavadas, que se usa por baixo para
Resguardo contra o frio, ou absorção do suor, enquanto
A mulher fica melhor de camisola comprida de dormir,
Com chá de camomila, a planta odorífera, artarácea, de
Que se fazem infusões medicinais; à beira da camboa,
Da pequena lagoa formada artificialmente junto ao mar,
Igual ao Aruçu, estreito de rio que seca com o refluxo
Das águas; e homem estúpido, calabre, grosso, igual
Ao camelo, mamífero ruminante da família dos camélidos,
Não tenho nem noção, do que sofreu o cambojano, o
Natural do Camboja, o tempo de Pol Pot; até a camélia,
Planta da família das tráceas, até a flor, sente mais do
Que este cambota, igual molde semicircular para
Armação de arcos e abóbadas, este indivíduo de pernas
Tortas, cambaio que não dá uma cambalhota, esta
Cambraia, tecido fino e transparente de linho, ou de
Algodão, existe mais do que eu; até este gado de pêlo
Totalmente branco, é mais útil do que eu; que não chego
Nem a cambucá, a fruta do cambucazeiro, árvore das
Mistáceas; e o que restou de minha vida, esta cambulhada
Que sou, porção de inutilidade, cambada de futilidade,
Roldão de medo, atropelo de covardia, de só de ver o
Camburão, o carro de polícia, para transporte de presos,
Começo a tremer e a entrar em pânico, tal a presa de
Canibal a ser devorada, pelo que se alimenta da carne
De seu semelhante; verme que se alimenta de verme?
O verme é canibalesco? existe canibalismo, antropofagia
Entre os vermes? não entendo por que o pânico, o pavor
De viver, o horror à vida; a canivetada na veia, o golpe
De canivete por onde o sangue jorra para a calçada, o
Mundo canino, o dente de cão preso à carne; a caninha
Do pobre, que ilude, a cachaça do fraco, que o faz sentir
Forte; o cortiço é pior do que canil, a canicultura é mais
Usada do que o verdadeiro sentido de vida;
Amor hoje só o de canicultor.

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