segunda-feira, 14 de maio de 2018

Olhai aqui e neste relatório caligráfico e quero deixar claro; BH, 01º01002000; Publicado: BH, 0401002013.

Olhai aqui e neste relatório caligráfico e quero deixar claro,
Nestas caligrafias, nestas formas de letras manuscritas, nestes
Modos de escrever, nestas tentativas de artes de bem à mão,
Que adoro ler o califa Fernando Pessoa; é o meu 
Soberano e chefe espiritual, como é o dos muçulmanos, 
Só que os muçulmanos entendem e compreendem o
Seu e não entendo e nem compreendo o meu; e
Não me penso e não me encontro à altura de um
Dia entender e compreender a poesia de tão elevada
Pessoa, com tão elevado ser; para mim é como se fosse
Um calidoscópio, um tubo cilíndrico, vedado, a ter no
Interior espelhos que refletem pequenos objetos de
Cores variadas; a formar desenhos simétricos e
Esquemáticos, que variam à medida que se roda o tubo
Na mão; é assim que me vejo perante a poesia dele, é
Assim que me sinto diante dela para mim, um cálido
E quente desejo de estupidez; uma ardente vontade
De adquirir qualidade e calidez de sabedoria poética e
Entender o invólucro externo da flor periantada; e
A compreender o vaso de prata empregado na missa
Para guardar o vinho consagrado, como se o vinho
Fosse a poesia de Fernando Pessoa; e ter às mãos copo
Alto, com pé, para o licor fino, a caliça, o pó, os fragmentos
Da cal já utilizada; com tamanho, com capacidade e com 
Dimensão, com diâmetro de um projétil de um tubo com 
Calibre sem igual e sei que não dá para verificar; não dá
Para medir, foge do devido, do ato de calibrar, do efeito da 
Calibragem, do teor calibrador que faz chorar; e um instrumento
Que faz encher o rosto de choro, como se enchesse pneus de ar;
Velas de ignição, mas sou um calhorda, sou uma pessoa sem
Valor, um mau caráter e nem mereço ser oportuno, vir a tempo
E a propósito, acontecer, acertar na mosca, coincidir com a
Verdade; entrar na calha da realidade, calhar com a liberdade da 
Calhandra, pássaro da família dos mínidos, na poesia do canto da 
Cotovia, do pequeno voo da calandra; estou pior do que automóvel
Velho da década de 20, estou mais para carruagem velha do que
Para poeta; e para ledor de livros, sou só esta embarcação só,
Costeira e de pequeno porte, este calhambeque esquecido e
Igual obra literária muito longa e enfadonha, em um alfarrábio que
Causa arrepios aos ignorantes; um livro grande, antigo e estúpido,
Sou sim este calhamaço de qualquer suco, este bagaço de onde se 
Fez escorrer líquidos para um lugar, ou direção predeterminada;
Estou destinado à calha, ao rego, geralmente de metal e em mim
Não para nada; a cultura feral de um almanaque, as fases da lua,
Os feriados, as marés, as festas, só as profanas; as religiosas, nem
Acompanhado, paro semanas, meses e anos, os dias perdidos no
Calendário, na tabela, na folhinha, que indicam a vida, o tempo, a 
Era, a razão; a metafísica, o calembur, o trocadilho, o expediente,
Insensível, até me tornar caloso, a produzir estes calos, a calejar
Sem interesse do caleidoscópio calejado, cego calefator e o 
Sistema com que se faz esse aquecimento contra o frio da alma,
Que se encontra em recinto fechado sem contato sem a superfície
Quente, calefação do coração; untado de óleo, alimentado do 
Caldo que consta o verde de couves fervidas em água salgada,
Com tempero de azeite; a sentir o banhista que acabou de levar
Um mergulho forçado, a borra que fica do suco extraído de frutas,
Plantas e de café não solúvel depois de coado; outra substância ,
Ou a carne que se coseu e perdeu a alimentícia, a lágrima líquida
Do caldeu e da cova lisa e redonda formada pelos redemoinhos
No leito do rio da Caldéia; a panela grande sem alça, a caldeira
Prestes a explodir, o caldeirão a transbordar pelo colapso da
Parte central de um vulcão, de grande cratera produzida pela energia. 

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