segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Ao meu pai Nestor Antonio Medina; BH, 02060402002; Publicado: BH, 02701102010.

Ao meu pai Nestor Antonio Medina
Gostaria que estas palavras tivessem a importância de
Um hectare uma diástole e como o alargamento de
Uma sílaba breve na prosódia acelerasse na ectasia
A dilatação deste órgão oco que é o meu coração
Pois não guardei num éctipo as tuas palavras e nem
Lavrei em cópia de medalha os teus ensinos e nem
Num cunho os teus pensamentos e hoje lamento
Sou só arrependimentos e nem com a ajuda
Da ectipografia a impressão tipográfica que deixa
Os caracteres em relevo para os cegos lerem igual
O sistema Braille é ectipográfico e não consegui discernir
Uma palavra sequer das que o senhor deixou
Impressas aqui no meu ouvido e fiz de tudo
Que o senhor me ensinou uma ectlipse e
Abusei da elisão ao banir de mim a tua
Proteção e ao sumir com o m final de uma
Palavra antes de vogal e dei co'as desgraças da
Vida e dei co'os burros n'água e de cara co'os
Diabos a perseguirem-me e fiz de tudo em
Minha vida um resumido ecto tal o grego
Que se emprega para significar situação
Superficial onde qualquer dor exterior dói
Mais profunda do que a ectoderma a camada
Celular exterior da gástrula e hoje só guardo
A ectomia fatal e a ablação cirúrgica de algum
Órgão ou parte dele que me reparará da vida e
Cansei de ser o ectoparasito de tegumento externo
E não quero que a minha herança seja uma deslocação
Anomalia de situação congênita a ectopia de
Ectospório de esporio exógeno e o reviramento
Para fora da borda livre da pálpebra o ectrópio
Não garante que estou ainda vivo e o ectrópion
Não me classifica de ser ainda em vida e bebo todo
Tipo de absinto e todo veneno ectrótico e não
Ponho para fora o feto putrefato que me
Consome as entranhas e me devora a medula
Hoje já tento saber que non in solo pane vivit
Homo nem só de pão vive o homem isso é o
Homem não deve preocupar-se unicamente com
As coisas materiais para dedicar-se também às espirituais
Como manda o Evangelho e é o que tento fazer
Pois desta vida omnia mea mecum porto tudo
O que tenho levo comigo isto para dizer que a maior
Riqueza de cada pessoa é a própria pessoa
A sua inteligência o seu coração e a sua sabedoria e
Quero fugir papai desses o tempora! o mores! com
A exclamação de Cícero que tempos que costumes
Ao notar a decadência dos romanos principalmente
A moral e o pai não tem culpa de nada e o filho é que
É um ecúleo um potro um instrumento de
Tortura dos pais tormento e flagelo da família
O filho é que é im éculo espécie de mocho
Do pai e usa de toda voracidade para aborrecê-lo
Usa de toda edacidade para contrariá-lo
E quantas e quantas vezes eu agi assim
Para ser o eda da coletividade que escarnece
O pai na alameda o edo que denota
A  edafologia da ciência que estuda os bons
Solos onde será plantado o arvoredo da
Boa sombra do futuro edafológico e não
Aprofundo mais na egomania e fujo do mórbido
Egocentrismo exagerado aprendi a abominar
O egotropismo e penso mais nos outros ouço as
Outras pessoas vejo os outros e só o amor é
Egossintônico comigo e o que está em harmonia
Com o meu ego agora é o bem e só o que
É bom é que é aceitável no meu ego
E consoante aos fins dele e caí em toda
Escorregadela e traí a clientela e desprezei
A parentela e me apaixonei numa esfregadela e
A culpa não foi minha ela que apareceu
Ela que foi a minha diminuição e às
Vezes depreciação e fico na janela perdido e
Azedo feito uma rodela de limão e na
Parcela de minha vida não era mais
Donzela e não a deflorei numa ruela e esquece
Pois algumas dessas palavras já perderam o
Sentido e tornaram-se radicela dos tempos de
El-rei e de el-conde do tempo da forma arcaica
Do artigo o subsistente apenas nestas expressões e
São formas que parecem mais terminadas em
Ser de origem provençal de sentido diminutivo
E direção inversa a tudo que exprime ideia de ação
Continuada morosa bocejo de cordel festejo de fardel
Lugarejo de raquitel depreciação de donzel gracejo
Por anel animalejo em pincel natural e pastel
Sertanejo a lacrimejar por não ver o verde a vicejar
Nem o barquinho velejar a chuva parou de gotejar e
Não é mais frequentativa e o sertão torna-se um
Arremessador implacável um expelidor de vidas e almas
Ejaculadas de mortos que caem na eiva da sociedade
Se perdem na falha inviáveis tais rachaduras em
Vidro ou louça igual nódoa num fruto que começa
A apodrecer defeito que não tem mais jeito nem conserto
É o eiró a espécie de enguia que escapou da rede
Onde estavam os bons que deixaram de ser um agente
Um monteiro na vertente carpinteiro de vereda recipiente
Que não recebe conteúdo tinteiro vazio qualidade bem
Distante de possuir o teor de verdadeiro ai meu céu
Eirado meu terraço de encosta coberta com a propensão
Que uma pessoa demonstra para referir tudo a si próprio
A considerar-se sempre figura central mesmo a saber
Que não passa de um eguariço de muar que provém
De égua e burro sem o conhecimento eidético da ciência
Que se refere a essência das coisas o estudo do eidetismo
Ideal do objeto eh Nestor quero tudo que exprime espanto e
Que serve para chamar a atenção este é meu eido meu
Pátio de cemitério quinteiro de covas quintal de sepulturas
E é para lá que vou antes do senhor seu Nestor.




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