sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Os deuses da poesia abandonaram-me; BH, 0901202010; Publicado: BH, 0901202010.

Os deuses da poesia abandonaram-me
Estou triste e não me querem por fiel
Fecharam as portas das igrejas e nos bancos
Colocaram pontas de pregos e as musas
Da poesia as santas desvirginadas
Defloradas pela arte não aceitam minhas
Libações e continuo sem ser batizado pagão
E não me deixam respirar a respiração delas
Não querem meus cantos hinos louvores e
Não aceitam minhas ofertas e oferendas
Derramo o sangue no altar para eles
Subo no púlpito e não os encontro
Lá para ouvirem minhas ladainhas estão
Cansados de mim e fugiram para seus
Bosques para os refúgios de suas cavernas
Meus poemas parecem ser feitos por Caim tal
É o pouco caso que fazem deles e as frutas
Apodrecem as fumaças dispersam-se e eles
Não sentem o aroma da minha carne
Queimada em homenagem a eles deuses
Dos poemas musas das poesias já não querem
Mais fieis e a procurar um para adorar
Uma para oferecer uma obra e onde
Estão todos? deuses não morrem não
Matei meus deuses não os ofereço elegias
Encho-os de triunfos em odes eternas
Em cânticos infinitos não os crucifiquei
E nem os preguei em cruzes depois
De serem relhados em vias públicas e não
Precisam me abominar não os fiz reis
Com coroas de espinhos e nem
Os matei a sede com vinagre.

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