domingo, 17 de fevereiro de 2019

Não sei o que é que está para acontecer comigo; BH, 02903020402002; Publicado: BH, 02401102010.

Não sei o que é que está para acontecer comigo
Penso que estou enfeitiçado pois não consigo tirar
Os olhos dos olhos dela e ai que azul de doer
Tem aquele olhar que tom de verde infinito
Que até parece a flor do mar não consigo
Tirar a boca dos lábios dela ai que sabor
De mel de jataí não consigo tirar os lábios
Daquela boca fui possuído por tudo em conjunto
E em todo espírito por espírito ser por ser
Alma por alma ente por ente corpo por
Corpo deixei de existir deixei de ser
E de falar por mim e sei que non decet
Não convém porém não sei mais o que fazer
Não sei o que está para acontecer comigo sempre
Foi assim mas com ela a coisa mudou
Meu pensamento non liquet não está claro
E não convence nem ao mais ingênuo dos inocentes
Sei que om nia vincit amor o amor vence tudo
Mas o que está neste acontecimento é uma paixão
Que já superou o amor é um sentimento eclíptico
Que fechou acima da relação com os eclipses e
Com a eclíptica fiquei fora de minha memória
Aumentou o meu esquecimento sofri com a maior
Ecmnésia como o fenômeno pelo qual fragmentos
Da minha vida pregressa se apresentam à
Minha consciência e são revividos como se fossem
Sentidos no momento atual é um efeito que me
Causa a mais pura amnésia que também vai
Ser pronunciada em meu cérebro viciado
Só a lembrança em benefício dela e o eco
Que exprime em mim a ideia depreciativa
Com o parco momento em que me encontro
Diante dela sinto-me um jornaleco desempregado
Um fordeco enguiçado perdido no ambiente nativo
Sem meio e sem ecologia sem oikos e sem casa
O ecô para chamá-la de volta sai mudo
O brado de que se servem os caçadores para
Açular os cães e os vaqueiros para tanger o gado
Mais parece um miado de gato desmamado
E por segundo choro nesta ecolalia lamento
Nesta repetição automática de palavras ouvidas
Peco-me na ecometria e erro no cálculo da
Reflexão dos sons quebro o ecômetro e esqueço
A régua graduada que se emprega em ecometria
Meu coração se enche de melancolia ela
Dormiu eu fiquei acordado velando o sono
Dela e desesperado por não ter entrado no
Seu sonho na mansão que ela constrói enquanto
Dorme não tenho o emprego de economato
Vi-me sem cargo sem o ofício de ecônomo
Nasci para ser o administrador de sua casa
Ser o seu despenseiro e o seu mordomo o
Guardião na hora do ecpiesma na hora da
Fratura no crânio quando as esquírolas comprimem
As membranas cerebrais para não permitir que fuja
De dentro de sua cabeça o meu fantasma predileto
O perfil edílico refletido como imagem no espelho
Da sua retina do seu furor edificante e sua
Fúria atenuante mas de teor edificativo que
Faz de uma edícula um palacete de uma pequena
Casa uma mansão e sinto-me num nicho para
Imagens um edificador construtor de oratórios
Para vistoriar todos os compartimentos e acessórios
Separados da construção principal e unidos por
Ideal de qualquer parte ou local de edessano
De Edessa na Ásia ou do natural e habitante de
Teófilo Otoni de onde começou o estudo edeológico
Do grego aidaion partes sexuais e logos tratado dos
Órgãos da geração de onde nasci desdentado
E continuo um edentado na minha edeologia
Não sei o que é que está para acontecer quando estou
A escrever ainda mais quando tento fugir
Com o coração edematoso cheio de sangue edemático
De um amor que só sabe edemaciar produzir edemas
Do tipo edaz cada um mais devastador do que o outro
Cada um mais voraz mais edacínimo a ponto de minar
Forças e energias que sonho sustentar resistir
Para colocar no eixo do caminho o andar correto
Quero a parte de mim que está com ela
Sei que me pertence e ela tem que devolver
Para mim tudo do meu eu que ela se
Apoderou na sua ganancia de posse e de
Pretensão desenfreadas mas não tenho jeito
E parece que gosto de não ter jeito e nem
Gesto de repreensão de repulsão ou contrariedade
Deixei-me dominar só pela força do olhar
A doçura da boca o frescor da saliva a
Maciez dos lábios a brancura dos dentes
O leite no peito o mel no seio o sangue na veia
A seiva no sexo tudo parece ter algum
Nexo nesta minha prisão obsessão maior
Do que uma impertinência que chega ao auge de
Uma vexação pública à mania de perseguição
E ideia e impulso que não pode ser eliminados
Pela lógica ou raciocínio é algo que tende a
Impor-se ao ego e que para evoluir paralelamente
A ele e teima em resistir mesmo ser ser aceito
Por minha consciência se ainda fosse só uma
Ideia fixa que distingue-se porque é aceita
Não me faria tanto mal mas não há de ser
Nada tudo neste mundo passa se ela é feliz
Assim a mim não me importa que eu seja 
Não existo só porque ela possa existir não vivo
Para que ela possa viver o que importa é que
Ela seja feliz eu pobre e ela rica eu fraco
E ela forte eu com o azar e ela com a sorte
Do lado dela a vida e do meu lado a morte
O caminho dela a levará ao céu e o meu
Com certeza me levará ao inferno.

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