terça-feira, 13 de novembro de 2018

Sou um zeófago; Varanda da Marechal Marques Porto, 131; RJ/SD; Publicado: BH, 050902012.

Sou um zeófago
Perdi-me no zênite
Pendurei meu pêndulo no pináculo
Cheguei ao auge
Ao ponto mais elevado
Da minha esfera mental
As linhas que me formavam
Em ângulos alternados salientes
Reentrantes sinuosos
Se embaraçaram todas
Em um único nó cego
Açoitei meu pensamento
Bebi o orvalho
A chuva miúda
Molhei-me na garoa
Serenei no sereno
Li o Zenda-Avesta
Não me transformei
Continuei com a minha zoantropia
Zoava de indignação
Fiquei mais suspeito ainda
Expulsei a eclíptica
Do meio de zodíaco
Fiquei a comer capim
Na zona circular da esfera celeste
Fiquei a ser a décima terceira constelação
O sol não me percorreu
Durante todo o ano
O zoico do meu zoísmo
O prisma me dividiram
Em sete cores desconhecidas
Simplesmente não eram cores
Conheci a minha zoobia
Agora sou um zoóbio
Estudo zoobiologia zoo corografia
Agora tenho zooética zoofagia
Quero a zoofilia a zoogenia
Não quero a zoofobia
Sou um zooide
Um zoólatra
Sou da zoolatria
Meu zoomagnetismo minha zoomania
Meu zoomorfismo minha zoonomia
Todo este conjunto animalesco
Deixa-me zorato
Sou um zoologista

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