terça-feira, 13 de novembro de 2018

Andas à toa; Varanda da Marechal Marques Porto. 131; RJ/SD; Publicado: BH, 050902012.

Andas à toa
A vaguear pelas ruas
A atrapalhar-te nas próprias pernas
A movimentar-te tal a um bonde
Pareces até um elefante
Entrometes-te em tudo
Fazes as tuas traquinagens
As tuas travessuras
Não queres saber de nada
Não queres zelar por nada
Não tens nem zelo
Nem tens desvelos
Pelos teus próprios interesses
Quanto mais pelos meus
Não és cuidadosa
Nem escrupulosa
Não sentes ciúmes
Nem tomas cuidados
Menina órfã
Sem pai sem mãe
Sem sociedade sem lei
Por ti tiraria a roupa
Em plena via pública
Às vistas da luz do dia
Agitas o zé-povinho
Rebolas o quanto podes
Andas a te mexer
Toda desengonçada
Pareces uma carroça
Uma charrete puxada
Por burro manco velho
Caolho zarolho estrábico
Até pareces míope
Não enxergas ninguém
Não olhas para ninguém
Nem sentes quando alguém
Passa a mão na tua bunda
Deixas de andar à toa
Vens para a casa
Vens tomar um banho
Tirar a catinga
Tirar a cera seró
Tirar a tiririca o suor
Chega de bater pernas
Vem para a cama abrir as pernas

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