terça-feira, 13 de novembro de 2018

Fecha os olhos ao abri-los; BH, 020802004; Publicado: BH, 0240602010.

Fecha os olhos ao abri-los 
Se fosses um pensador não o
Pensador de Auguste Rodin mas um
Pensador de carne de ossos de nervos o
Que imaginas que pensarias
Neste exato momento? fechas os olhos
Pensas bem se fosses Deus por mais
Que amasses o mundo terias a coragem
De dar o teu único filho para ser torturado
Maltratado depois crucificado? por um
Bando de malfeitores ignorantes rústicos sanguinários?
Fecha os olhos saias da cegueira busques a
Lucidez saias da caverna desfaças
Tua bagagem de viajante unas todos
Os nomes para não navegares numa jangada
De pedra te amarres ao fio de Ariadne para
Saíres das trevas dos labirintos mentais
Fecha os olhos assumas nunca tive coragem
Sempre fui covarde ainda sou medroso
Tenho medo de falar receio em pensar
Quando tenho que tomar alguma
Atitude não encontro segurança pois
A claridade que quero não é
A do holofote dos faróis dos spots
A claridade que quero ver é
Aquela de quando puder
Fechar os olhos olhar dentro de mim
Não ver nem sentir escuridão
Mas sim a claridade que procuro
Aquela que não me deixa viver em vão
Que me desvenda a verdade não
Deixa-me esconder atrás da mentira
Nem da falsidade ou da ilusão
A claridade que procuro me fará sentir
Homem sem precisar dos adereços
Oferecidos pela sociedade consumista

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