Ao Dia Nacional de Poesia
Aqui ficou como se fosse noite eterna
Tão densa de infinita que até parecia
Que todas as gotas de sangue tinham
Caído do universo desde o sangue do
Cordão umbilical do primeiro que botou
A cabeça para fora da caverna então
Passou a ser considerado ser humano
Até o último que nasceu no exato momento
No qual escrevo estas hemorragias literárias
Do qual não sei se nos dias atuais
Ainda pode ser considerado chamado
De ser humano aqui ficou como se fosse
Trevas por mais que gritassem haja luz
Não houve luz por que não temos luz própria
Nem temos razão percepção tino noção temos
Só um ovo oco dentro dum zigoto num esgoto
Dentro do cérebro o coração do nosso coração
É a morada da hipocrisia da falsidade
A alma que fingimos ter é de mentira
De covardia o espírito que nos sustenta é
De medo de farelos de farelos de simulacros
Onde estamos com a cabeça a não ser no
Cepo para ser decapitada por nossos carrascos
Onde estamos com a cabeça a não ser na
Guilhotina prestes a ser acionada? como comemorar
O Dia Nacional de Poesia num mundo sem
Poesia numa humanidade que não sabe
O que é ser humano? é embriagada drogada
Viciada corrupta corrompida? como falar
De poesia com quem faz guerra prega a ultra violência
Promessas ninguém paga mais o amor está morto
A paz até parece que causa vergonha a nossos
Ânimos a felicidade está a milhões de quilômetros
Diante de nós foge do nosso alcance com a velocidade
Milhões de vezes maior do que a velocidade da luz
Ainda é de dia tudo parece que virou trevas
Ou chumbaram meu olhar ou meu cérebro é
Feito de concreto armado ou meu eu é todo o
Estágio todo espaço da mediocridade repulsiva
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