segunda-feira, 4 de junho de 2018

Um homem triste à beira das lágrimas; BH,0130150702004; Publicado: BH, 0190902009.

Um homem triste à beira das lágrimas
Um fantasma a quem ninguém empresta
Um balde de água para lavar o lençol sujo
Que encobria o cadáver sujo e que não
Conseguia levantar da sujeira do
Manto da podridão que era a hora
Derradeira o véu que caiu igual a
Uma rasteira a deixar à vista a
Nesga negra da alma que se dizia
Altaneira e jogava pedaços de carnes
De cadáveres nas cabeças dos que passavam
Rente à ribanceira e diziam que eram
Hóstia o corpo de Deus e jogavam vinho
E diziam que era o sangue e até
Comprovavam cientificamente e essas tais
Relíquias vendidas ao peso de ouro como
Se ouro fossem e os fiéis enganados diante
Dos santos de barro davam aleluias e graças
E clamavam por milagres curavam suas
Feridas acreditavam no paraíso no céu
De vida eterna e num firmamento
Bem além do que este firmamento
E quando abriam os olhos diante do
Tormento o que viam no espelho era
O mesmo homem triste real de carne e
Osso de nervos e de medo com a mesma
Covardia estampada no olhar de herói
E no peito milhares de medalhas
Mulheres e crianças despedaçadas por
Suas bombas suas minas e seus tanques


Seu ódio infinito ao registro da paz.

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